Porque um blog?
Soa pretencioso convidar vocês para o meu blog. Afinal quem sou eu e que interesse teriam vocês em ler as minhas ideias? Leio vários jornais por dia, hábito que adquiri muito cedo e,
difícil reconhecer, é impossível de ser largado. Mais fácil parar de fumar.
Mas essa leitura diária de jornais também me ensinou outra coisa: a manchete do dia é o que menos importa. No meio dos jornais há seções e articulistas com os quais nos identificamos, ou não, e os lemos para concordar ou discordar ou até fazer ilações que não ocorreriam em outras circunstancias.
Quando tinha meus 21 anos (e bota tempo aí!) tive uma passagem fulminante pela sucursal paulista do jornal Ultima Hora. Naquele tempo ainda não era regulamentada a profissão de jornalista e eu era "o foca" mesmo. Mas tive a sorte de ter como meu superior imediato alguém que tinha um pouquinho mais de idade que eu e me ensinou muito: Ignacio Loyola Brandão, logo depois consagrado escritor.
Ele, que sabia da minha paixão pelo teatro, dizia: "a seção de teatro é a ultima que deve ser lida por qualquer ator; primeiro leia as generalidades, depois a matéria que causou a manchete e, por ultimo a seção de teatro".
Não sei bem porque, mas essa foi a lição mais importante que ele deu. Depois cada um seguiu
o seu destino.
Bom, até hoje pego os jornais e a última coisa que leio é a que deu razão à manchete. E descubro coisas interessantíssimas. Quase todos os jornais tem uma seção "Há não sei quantos anos..."
Problemas que nos atormentam também eram notícia! Há 50 anos, por esta época, as esperanças do Brasil estavam nos pés do "scratch" e se dizia que talvez dessa vez o Brasil conquistaria pela primeira vez a Taça Jules Rimet, apesar de 1950... Isso sem mencionar outros dramas, tais como "falta de água, trânsito caótico, ladrões", etc., etc..
Pouca coisa mudou, né? A Jules Rimet foi conquistada definitivamente, aqui ficou, foi derretida (não era para ter acontecido?), mas o resto... o resto... vale pena lembrar?
Mas eu tembém cresci, criei filhos, construi uma carreira. E continuei a ler jornais a minha moda. Fui incentivado a criar este blog por várias pessoas. Meu filho Miguel Alexandre, uns dos meus orgulhos, há uns 3 ou 4 anos me dizia: - "Pai, você precisa passar a sua experiencia para os outros". Minha fraternal amiga Sumara Louise costumava trocar mensagens comigo onde nós que nunca dividimos as mesmas opiniões políticas ao final chegávamos à conclusão de que estivemos de acôrdo sempre.
Pedi a benção à Sumara e criei coragem: botar a cara a tapa. Dos anos em que trabalhei como ator, colecionei muitas histórias. Pretendo contá-las aqui, bem como curiosidades de suas personagens. Também dar palpites sôbre as notícias dos jornais que leio.
Estão todos convidados. Para isso criei o blog. Mas não vale só ler o que fôr publicado.
Vão ter que comentar também. Só não valerá chamar ninguém de mulher do padre.
Benvindos todos.
